Acampamento Terra Livre reúne 4 mil em Brasília

Marchas, atividades culturais, plenária com a participação de representantes de movimentos sociais, urbanos e do campo para unificar as lutas e mesa sobre a articulação internacional das lutas dos povos indígenas marcaram a programação do Acampamento Terra Livre 2017. Em sua 14ª edição, o evento foi realizado em Brasília entre os 24 e 28 de abril e é considerado um dos maiores da história, com a presença de cerca de 4 mil indígenas de mais de 200 povos.

“Para nós isso aqui é muito importante porque a gente encontra muitos parentes. A gente veio aqui para ter o reconhecimento dos políticos e reivindicar saúde, educação, meio ambiente e todas as coisas importantes para nossas aldeias”, avalia o vice-cacique Guarani Nhandeva, do Paraná, Awa Nidwyjree.

 

Movimentos sociais manifestam apoio e se comprometem com a defesa dos direitos dos povos indígenas do Brasil. Estiveram presentes Guilherme Boulos (MTST – Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto) e representantes da Contag, MST – Movimento dos Trabalhadores Sem Terra e Central Única dos Trabalhadores

 

A indígena Rosemery (povo Arapaso, Alto Rio Negro) é militante do Movimento de Mulheres Indígenas do Amazonas e destaca os porquês da importância da presença das mulheres indígenas no ATL. “A maioria delas ainda é analfabeta. Mas a maior questão é a territorial. As mulheres sofrem porque os maridos e os filhos vão à luta e lá são mortos, massacrados. No final, quem sobra são as mulheres com os filhos no colo. Hoje a maioria delas são mãe e pai de família, elas trabalham pra manter seus filhos. Então hoje tem muitas mulheres do Mato Grosso, Norte e Nordeste aqui!”

Delegações de povos indígenas da Bolívia, Equador, Guatemala, Costa Rica e Indonésia participaram do Acampamento, manifestando apoio aos povos originários do Brasil. No dia 27 de abril, Sonia Guajajara, cacique Raoni (caiapó, região do Xingu) e Marichoia Pascoal (Peru) selaram a articulação internacional Aliança dos Guardiões da Mãe Natureza. “Três grandes florestas do mundo correm perigo de extinção. Preservar a vida indígena é preservar a Amazônia. Nós somos uma espécie de escudo invisível para a Amazônia“, reflete a liderança indígena do Peru.

 

As atividades resultaram na construção de um documento final da mobilização que condena os ataques e ameaças aos direitos dos povos originários de forma contundente. O texto aprovado na plenária do ATL foi protocolado em vários ministérios e no Palácio do Planalto, na tarde de 27 de abril, durante a 2ª marcha da semana dos indígenas na Esplanada dos Ministérios.

Atos públicos
No último dia 27, três mil indígenas tomaram as ruas da Esplanada dos Ministérios entoando cânticos e evocando os Encantados para que seus direitos a terra e bem viver sejam assegurados. Os indígenas protocolaram nos ministérios da Saúde, Educação e Justiça o documento oficial do encontro com as principais reivindicações dos povos originários. Confira aqui o documento: https://goo.gl/lMNTJq

Na terça (25) também foi realizado um ato na Esplanada, recebido violentamente pela força policial. “Fomos recebidos a tiros, a balas de borracha, gás lacrimogênio, gás de pimenta. Foi muito horrível o que aconteceu com a gente. Não precisava a polícia, essas pessoas incompetentes, atacarem a gente com bala, sendo que a gente só tinha arco e flecha. Pra que isso?”, indaga-se o Guarani Nhandeva Awa Nidwyjree.

Unir forças
A indígena Arapaso Rosemery pondera que cada vez será mais importante fortalecer mobilizações como a ATL. “A participação maior dos parentes em nível nacional só foi possível graças às parcerias que a gente tem hoje. Estar em Brasília, dizer como a gente está, o que a gente sente. As coisas só vão melhorar quando a gente fizer continuamente esse tipo de mobilização. Nós, povos indígenas, por mais que a gente more em nossas terras demarcadas, nós não temos suficiente essa segurança financeira, porque a qualquer hora a bomba explode aqui em Brasília pra aprovar projetos que são desfavoráveis aos nossos direitos. Então nós precisamos dos parceiros. E nós temos parceiros que podemos contar. A CESE, por exemplo, sempre apoiou o movimento amazônico e o movimento nacional, especialmente as atividades das mulheres indígenas”, ressalta a indígena Arapaso durante as atividades do Acampamento Terra Livre 2017.

 

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