Violência Cultural

Nos anos 70, dezenas dessas famílias extensas, cada vez mais espremidas nos fundos de fazenda, foram levadas aleatoriamente para oito reservas indígenas que haviam sido demarcadas pelo Serviço de Proteção ao Índio, entre as décadas de 10 e 40. Essas reservas ficam propositalmente próximas das cidades da região, como Caarapó, Amambaí e Dourados.

O objetivo dessa demarcação era o de promover a progressiva “civilização” dos índios. No início do século XX, imperava entre nossa elite intelectual o pensamento evolucionista, segundo o qual esses povos “selvagens” estavam apenas num estágio “menos avançado” de cultura. Em contato com os brancos, eles naturalmente se tornariam como nós.

Com as famílias trazidas aleatoriamente para as oito áreas, os problemas nessas reservas foram se acumulando. A falta de espaço para plantar e a demanda cada vez mais intensa dos mais jovens por bens produzidos pelos brancos levou à intensificação da changa, o trabalho por contrato nas fazendas e nas plantações das usinas de cana que se instalaram na região.

Por exemplo, na reserva de Dourados, a maior cidade da região, no final dos anos 50, a população era de menos de mil pessoas. Hoje é de quase dez mil. Problemas como os altos índices de suicídios, violência e desestruturação de famílias nucleares podem estar relacionados a essa superpopulação, segundo avaliam antropólogos e historiadores.

Hoje, os cerca de 45 mil Guarani e Kaiowá do Mato Grosso do Sul ocupam cerca de 40 mil hectares. É menos  de um hectare por pessoa. Os especialistas estimam que seriam necessários pelo menos 40 hectares por família para garantir o modo de produção tradicional, com uma agricultura de coivara com rotação dos terrenos.

Os Guarani sofrem com a presença violenta de fazendeiros. Para eles, a terra é a origem da vida. No entanto, seu território tem sido devastado por violentas invasões lideradas por fazendeiros. Quase todas as terras dos índios já foram roubadas.

Crianças Guarani passam fome e muitos líderes já foram assassinados. Centenas de homens, mulheres e crianças Guarani cometeram suicídio.

Afetados pela perda de quase todas as suas terras no século passado, o povo Guarani sofre uma onda de suicídio inigualável na América do Sul.

Os problemas são especialmente graves no Mato Grosso do Sul, onde a etnia já chegou a ocupar uma área de florestas e planícies de cerca de 350.000 quilômetros quadrados.

Hoje em dia, os índios vivem espremidos em pequenos pedaços de terra cercados por fazendas de gado e vastos campos de soja e cana-de-açúcar. Alguns não têm terra alguma, e vivem acampados na beira de estradas.

Fonte: Agência Brasil, Povos Indígenas do Brasil – Instituto Socioambiental (ISA), Survival.

No vídeo abaixo, uma comunidade Guarani descreve as ameaças impostas pelos pistoleiros, contratados pelos fazendeiros que roubaram sua terra.

 

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