Missão em Dourados

Missão Ecumênica em apoio aos Guarani-Kaiowá visitou no dia 15 de julho de 2016 as comunidades recentemente atacadas em Dourados (MS).

Foto: Comunicação da Missão/ Em Caarapó — Dourados

Segundo lideranças locais, conflitos territoriais na região já custaram quase 400 vidas. A Missão Ecumênica visitou área indígena de Dourados-Amambaipeguá, no município de Caarapó, local do mais recente atentado contra os índígenas. O ataque, no  dia 11 de julho de 2016, feriu um adulto e dois adolescentes.

O dia começou com um ato ecumênico junto às comunidades Tey Jussú, seguido de uma visita a comunidade Apyka’i.

Foto: Comunicação da Missão/ Em Caarapó — Dourados

Além de participar de cerimônias e manifestações públicas, os religiosos puderam conhecer de perto as terras que têm sido palco e razão principal dos conflitos.

Foto: Comunicação da Missão/ Em Caarapó — Dourados

Segundo contam lideranças locais, apenas 0,2% das terras do estado são reivindicadas pelos indígenas. Requerer essa fração tem provocado a ira de ruralistas e a série de conflitos que já custou a vida de quase 400 pessoas.

A missão esteve também na área onde no dia 14 de junho de 2016 Clodiodi Aquileu Rodrigues de Souza foi assassinado.Aquele território foi rebatizado. Agora se chama Tekoha Kunumi Poty Vera, o “guerreiro que brilha”, em homenagem a homenagem ao agente de saúde Clodiodi, assassinado num atentado recente que entre os feridos teve uma criança de apenas 12 anos.

Os religiosos visitaram o túmulo de Clodiodi, onde realizaram um pequeno rito em sua memória. Em todas as comunidades por onde passaram, os missionários foram saudados com cânticos e agradecimento.

Foto: Comunicação da Missão/ Em Caarapó — Dourados Túmulo de Clodiodi Aquileu Rodrigues de Souza

A atmosfera, foi de comoção  e  apreensão. Segundo a líder da comunidade de Apyka’i, Cacica Damiana, há também um desrespeito dos fazendeiros aos Tekoha (as aldeias e espaços sagrados para os Kaiowá) e, por extensão à própria tradição indígena.

“Fomos tratados que nem cachorro. Nos expulsaram e queimaram tudo.Tiraram até a cruz do túmulo do meu marido. Só queremos voltar para nossa terra”, contou Damiana.

Foto: Comunicação da Missão/ Em Caarapó — Dourados – Rafael Soares de Oliveira (Koinonia) e Cacica Damiana

Além da solidariedade e compromisso com a denúncia das violações de direitos no MS, os missionários levaram também cobertores arrecadados pelas igrejas. O material foi entregue ao Conselho Indigenista Missionário (CIMI) para distribuição entre as comunidades.

“Uma missão como essa foi além das nossas intenções. Renovou o compromisso ecumênico para a causa Kaiowá e o desfio da presença das Igrejas em situações limite por direitos e defesa da vida. Mas também esperanças entre os apoiadores locais, união entre diferentes Tekoha´s sem condições de se encontrarem no cotidiano e muitas formas de oração conferindo dignidade a todas pessoas ali em igualdade”. Disse Sônia Mota.

Foto: Comunicação da Missão/ Em Caarapó — Dourados – Sonia Mota (Cese) e Cacica Damiana

“Voltamos para nossos lugares de origem para nossos trabalhos com o sentimento de que foi importante ter ido prestar a nossa solidariedade e com o desafio de continuar com a Missão”, Missão Ecumênica em apoio aos Guarani-Kaiowá MS/Julho de 2016.

Assista vídeo sobre a Missão Guarani Kaiowá. Produção: Missão ecumênica

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