II Missão Ecumênica em defesa dos Guarani Kaiowá em Mato Grosso do Sul

No dia 12 de julho de 2016, mais um ataque aos Guarani-Kaiowá aconteceu no Mato Grosso do Sul. Três indígenas: um homem de 32 anos e dois jovens de 15 e 17 anos foram baleados. Os crimes ocorreram em meio ao processo de demarcação de terras dos povos indígenas na região de Caarapó. Os indígenas estavam acampados no “Tekoha-Guapoy”, e foram atacados por pistoleiros que chegaram em quatro caminhonetes e um trator.

Esse foi o terceiro ataque aos Guarani-Kaiowá no último mês, na região de Dourados (MS). No dia 14 de junho, o indígena Clodiodi de Souza foi assassinado, e outros seis indígenas foram baleados, incluindo uma criança de 12 anos.

Frente à guerra em curso no estado, travada por ruralistas e suas milícias armadas contra indígenas, a Coordenadoria Ecumênica de Serviço (CESE), o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC), o Centro Ecumênico de Estudos Bíblicos (CEBI) e a Articulação e Diálogo Internacional (PAD), que desde outubro de 2015 coordenam a Missão Ecumênica seguiram com uma nova missão para o Mato Grosso do Sul.

Houve uma convocação pública para o II -Ato Ecumênico em defesa dos povos indígenas, que aconteceu nos dia 14 de julho, em frente à Assembléia Legislativa do Mato Grosso do Sul.

Foto: Comunicação da Missão/ Membros da Missão Ecumênica

“Guaranis e Terenas acolhem-se entre si e aos que vieram em solidariedade” Rafael Soares de Oliveira (Koinonia)

Foto: Comunicação da Missão/ Guarani-Kaiowás e Terenas recebem membros da Missão Ecumênica

O objetivo do ato foi denunciar

Há uma guerra em curso no estado do mato Grosso do Sul. Segundo relatório do Conselho Missionário — CIMI, só entre o ano de 2000 e 2014, 390 indígenas foram assassinados no Estado.

Além de denunciar os crimes cometidos por ruralistas e com a omissão do Estado, buscam sensibilizar a população da importância do apoio de todos na luta pela garantia dos direitos dos povos indígenas garantidos pela Constituição Brasileira de 1988.

Religiosos de várias tradições e regiões do país protestaram contra a violência, praticada na maior parte dos casos por ruralistas.

Foto: Comunicação da Missão

“A situação só vem se agravando. Diversas denúncias foram feitas e diversos documentos publicados dentro e fora do Brasil. Estamos aqui em nome de várias organizações ecumênicas comprometidas com a luta por direitos. Enquanto o sangue indígena estiver correndo por este chão não podemos ficar omissos” Pastora Sônia Mota (CESE)

Pastora Sônia lembrou ainda que um dos propósitos das entidades presentes é cobrar de perto atitudes do governo e das instituições no sentido de assegurar o respeito aos direitos dos povos indígenas.

“Nós crescemos vivendo o sofrimento.Em 88 lutamos para assegurar nossos direitos na constituição. Conseguimos segurar em dois artigos o direito sagrado sobre a terra. E querem nos tirar. Nosso povo está pagando caro. Aconteceram duas CPIs para nos apontar como culpados. Disseram até que nós iríamos invadir a cidade para jogar a sociedade urbana contra nosso povo. Nós não vamos nos calar. Direito não se negocia e nem se abandona”.Alberto da Terra Buriti -Cacique Terena

Embora o acirramento dos conflitos territoriais tenha mobilizado parte da atenção da sociedade para o tema, somente em 2014, 138 índios foram mortos de acordo com relatório do Conselho Indigenista Missionário (CIMI). Os recentes atentados, inclusive com mortes, representam a continuidade num histórico muito mais longo de negação de direitos.

Além dos assassinatos e das campanhas de deslegitimação da causa indígena, pesam ainda contra essa população problemas como a mortalidade infantil — de 42 crianças mortas por mil nascidas vivas (22 é a média nacional) — e a desnutrição, principal causa de morte entre crianças indígenas até os 9 anos. Entre os adultos, o índice de suicídios supera em mais de cinco vezes a média nacional, atingindo em cheio os jovens.

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